Afinal, pesquisa eleitoral funciona ou não funciona?

 11.01.2020: 12:50 AM      70
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inguém acredita mais em pesquisa que o cliente que a contratou
Pesquisas são como as linguiças. A gente nunca sabe como são feitas. No caso das pesquisas eleitorais é muito importante saber de onde veio o dinheiro e quem as encomendou. Nem sempre isso fica claro no registro junto ao TSE.

 

Minha experiência como jornalista em diversas coberturas eleitorais me ensinaram que pesquisa é uma faca de dois legumes. Ela tanto funciona como instrumento de propaganda como serve de medidor legítimo da preferência do eleitorado.

A coisa se dá mais ou menos assim: normalmente um partido político com maior cota no Fundo Eleitoral contrata os maiores e mais caros institutos de pesquisas por motivos óbvios, enquanto os partidos menores com pouca verba ficam com os menos afamados ou nenhum. O contrato é muito complicado, mas sempre existem acordos informais para que nas primeiras pesquisas os números do cliente sejam inflados de forma a induzir o eleitorado.

Tanto os institutos grandes como os pequenos fazem isto de forma velada manipulando a amostra do universo de eleitores pesquisados de forma a favorecer seu cliente em detrimento dos adversários. Não importa muito o resultado iniciais, afinal ninguém pode provar se os números são ou não são reais. Nesta hora um instituto de pesquisa funciona como qualquer empresa capitalista que visa lucro.

Esta manipulação pode se dar, por exemplo, com a escolha de maior número de entrevistados com perfis favoráveis baseados em parâmetros de classe, ocupação, gênero, bairro, grupo social, etc. É praticamente impossível comprovar este tipo de manipulação porque cada instituto configura sua amostragem com base na sua própria metodologia de trabalho.

Neste ponto, beneficiado pela distância do fato comprobatório, ou seja, da eleição, a pesquisa é usada como importante peça de propaganda. Ela funciona com um fator de indução de preferência para uma parcela significativa do eleitorado. Incentiva a olhar para aquele partido melhor colocado, podendo até antecipar a definição de voto para este ou aquele candidato.

Caso ocorra uma reação de desconfiança por parte da opinião pública, os institutos ainda contam com a margem de erro para manobrar o grau de confiança no resultado. Caso isto não seja possível, podem até confessar um erro técnico e retabular os números para chegar a um parâmetro mais palatável.

Na medida que o pleito vai se aproximando, os institutos de pesquisas vão calibrando mais a escolha do universo eleitoral de forma convergir os números para a realidade factual. Agindo desta forma mantém a fidelidade dos clientes ao mesmo tempo em preserva da sua credibilidade que será avaliada pelo mercado comparando seus números finais com o resultado apurado.

Quanto maior o índice de acerto mais poder de barganha o instituto terá no fechamento de futuros contratos. Mas é justamente na fase final das pesquisas que a relação fica crítica pois o cliente muitas vezes questiona os números e tenta de todas formas forjar resultados mais favoráveis.

Muitas vezes, os institutos cedem às estas pressões ou até entregam alguns pontinhos aos seus clientes, correndo risco de ficarem totalmente desacreditados no mercado. Quem pode garantir que a inclusão do nome (Lula) de um preso comum condenado na lista de presidenciáveis e seu altíssimo índice de intensão de voto é real, confiável?
Resumindo: pesquisas iniciais são menos confiáveis. Na reta final, como é caso da última pesquisa de boca de urna, elas se aproximam o máximo possível do quadro real, dependendo da relação entre o cliente contratante e instituto contratado. Pense nisso toda vez que analisar o resultado de uma pesquisa política.

E por último um detalhe não menos importante: num processo de fraude eleitoral o suporte das pesquisas validação de um falso resultado tem função preponderante.

avatar Avelar Livio Santos
Jornalista e consultor de internet
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 11.01.2020: 12:50 AM      70 datafolha ibope eleitoral pesquisa

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