Zé Dirceu, condenado a 32 anos de prisão como eunuco de Lula

 10.01.2020: 04:33 PM      206
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José Dirceu e Luiz Inácio, ambos condenado a morrer na cadeia pela Lava Jato, mas gozando de liberdade condicional devido a leniência e cumplicidade do Judiciário com a corrupção sistêmica existente no Brasil.

 
Este artigo foi publicado orginalmente no Medium, em 9/03/2017

O tempo passou e alegação de inocência de José Dirceu não prosperou. Ele acabou condenado pela terceira vez no processo da Lava Jato e sua pena já passa dos 32 anos de reclusão. Na próxima quinta-feira, 16 de março, José Dirceu de Oliveira e Silva completará 71 anos. Isto significa que, se não sofrer mais condenação e cumprir um terço da pena com bom comportamento, ele deve sair da cadeia aos 82 anos.

Pasmem! Parte dos crimes referentes a estas três últimas condenações na Lava Jato, por corrupção ativa-passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, foram cometidos ainda durante o processo do Mensalão , quando o petista já havia sido condenado a outros dez anos e dez meses de reclusão.

José Dirceu foi para cadeia em 2012 com o punho cerrado, como se sua prisão fosse um ato de heroísmo, um feito político digno de orgulho. Nas ruas os lulopetistas gritavam: "Dirceu, guerreiro, do povo brasileiro".

Como um criminoso já condenado pela justiça e execrado em restaurantes, aeroportos e outros lugares públicos tem a ousadia de continuar roubando o suado dinheiro do contribuinte, até mesmo de dentro da cadeia?

A resposta está no caráter da pessoa de José Dirceu, forjado na ideologia marxista concebida no final do século XIX, testada e desacreditada por nações como Rússia, China, Alemanha, Coreia do Norte, Cuba, Nicarágua, Venezuela, etc. Comunistas, socialistas, nazistas, fascistas acreditam que a felicidade na vida em sociedade se conquista com o controle absoluto do Estado, claro, sob o comando de desonestos dirigentes partidários como eles.

Para realizar esta distopia os engenheiros da IGUALDADE SOCIAL ignoram a cultura e o senso de moralidade milenar dos indivíduos e grupos da sociedades. São coletivistas, desprezam qualquer conquista por mérito dos pessoais. Para eles, o valor do ser humano é medido pelo grau de engajamento, cumplicidade, periculosidade e submissão às práticas e objetivos definidos pela cúpula do partido.

Se for preciso roubar eles roubam. Se for necessário destruir as instituições até caos generalizado eles destroem. Se for preciso matar eles matam milhões, tal como fez Stalin, Hitler e Mao. Nada é obstáculo à volúpia e à imoralidade dos cavaleiros da igualdade.

Voltando ao Zé. Ao ser preso roubando, como bom stalinista, ele repetiu a máxima maquiavélica de que "os fins justificam os meios" para explicar os esquemas de cobrança de propinas montados nos municípios de ABC e interior paulista. Estas ações ostensivas resultaram em brigas internas, deserções de lideranças e até mortes como a do prefeito de Santo André, Celso Daniel, até hoje não esclarecida totalmente.

Consta que o assassinato do prefeito foi queima de arquivo por este desistir de participar do esquema de corrupção ao saber que tinha a gente enriquecendo com a propina que deveria ser do partido. O Caso Celso Daniel chegou à Lava Jato e envolve diretamente Lula e outros membros da cúpula do PT.

Na foto, mediado pelo cínico Lula, Dirceu oferece suas condolências à viúva de prefeito morto de maneira muito suspeita.


Nesta época, Dirceu despontava como o segundo todo poderoso chefe petista, o homem responsável pela formação de fundo para financiamento des campanhas visando a tomada do Palácio do Planalto pelo processo eleitoral. Foram estas primeiras ações de arrecadadoras que pavimentaram a vitória de Lula em 2002 à Presidência da República.

Naquele momento, Zé Dirceu era o 'número dois', o sub-chefe do esquema, o nome forte do PT para substituir Lula em 2010. Mas, como acontece nas facções criminosas, logo despertou a inveja do chefão.

No primeiro momento o presidente petista reconheceu a importância de Dirceu na sua campanha vitoriosa e o nomeou ministro-chefe da Casa Civil. Porém, nunca escondeu sua antipatia ao companheiro mais afinado com a ala intelectual, um articulador político esperto, bem afeiçoado e com uma história de vida e militância cinematográfica.



Veja no início do vídeo que Lula empurra rispidamente a cadeira de Dirceu durante a reunião com os assessores mais próximos.

Na prática Lula usou e abusou do Zé Dirceu, mas dificultava sua ascensão no partido. Temia perder a liderança absoluta no PT, um partido formado basicamente por sindicalistas do ABC, intelectuais da USP e pastorais católicas. Dirceu pertencia ao grupo de intelectuais radical, tendo sido preso como estudante no governo militar e depois libertado na troca do embaixador dos EUA sequestrado por guerrilheiros.

Como nativo da ala sindicalista, lula sempre dependeu do apoio da ala intelectual para a formulação de propostas, administração da legenda e, a partir de 2003, o exercício do poder. Porém sabia dos riscos e procurava tomar todo o cuidado para não perder a liderança da legenda, mesmo depois de estar na presidência.

Dirceu sabia disto ao assumir a Casa Civil. Escaldado no período militar, conhecido nas repúblicas bolivarianas e treinado por socialistas cubano, depois de demitido e cassado resolveu dar uma de Chê Guevara com projeto de replicar o modelo lulopetista por toda América Latina.

Antes porém, como ministro-chefe da Casa Civil, ele distribuiu cargos para milhares de companheiros e cooptou líderes de partidos políticos com cotas generosas de poder, o suficiente para obter a hegemonia governista no Congresso.

Já no início do governo lulopetista, custurou uma aliança salvadora com PMDB, que de início esta foi rejeitada por Lula. Seria um constrangimento muito grande para o então "pai dos pobres" aparecer logo de cara abraçado com Sarney, Renan, Lobão, Barbalho e cia, antes mesmo de esquentar sua cadeira no Alvorada.

Lula optou por fechar com os pequenos partidos e assim angariar o apoio básico a um governo de coalizão. Foi justamente a construção desta aliança que gerou o Mensalão. Roberto Jefferson, um dos beneficiários pelo PTB, denunciou em público a farra do governo com os pagamentos de mensalidades em dinheiro vivo para políticos e cargos na administração para dirigentes de partidários.

Advinha quem foi o encarregado da distribuição desses cargos? Sim, Zé Dirceu, o mentor da lambança, o capitão do Mensalão. Psicopata, quando estourou a primeira crise do Mensalão o "alma viva mais honesta" aproveitou e matou não 2, mas 6 coelhos com uma cajadada só:

1 - Fingiu inocência e arrependimento em cadeia nacional ao dizer que não sabia de nada, não viu nada, não fez nada;

2 - Encenou consertar o erro demitindo o Zé e entregando-o aos lobos do Congresso;

3 - Se livrou de um futuro concorrente à liderança do partido;

4 - Roubou a ideia do Zé e concretizou uma aliança com o famigerado PMDB;

5 - Garantiu maioria no Congresso e sepultou o quase certo impeachment;

6 - Finalmente, com o Know-how do PSDB, montou o PETROLÃO em 2006, o maior esquema de corrupção de todos os tempos.

Zé Dirceu não gostou nada. Fora do governo, com mandato de deputado federal cassado e direitos políticos suspensos, partiu para seu vôo solo de CAIXEIRO-VIAJANTE negociando superfaturamentos de obras em ditaduras bolivarianas e africanas.

Lula, Fidel e mais atrás o lobista Zé Dirceu em visita a Cuba distribuindo dinheiro do BNDES

Em 2005, quando estourou o Mensalão, lembro-me de ter dito a um amigo que estavamos iniciando um novo ciclo no Brasil, pois contava que Lula sofreria o impeachment. Olhando hoje no retrovisor vejo que naquele momento o ciclo não havia se fechado devido a cumplicidade da mídia, a conivência do PSDB (principal partido de oposição) e a falta de consciência da sociedade.

Na época não tinhamos a força das redes sociais, o Facebook sequer existia e todos os partidos políticos eram subservientes e bem pagos pelo projeto lulopetista de poder. O projeto petista gerado no Foro de São Paulo era criar a chamada Pátria Grande, uma espécie de URSS COMUNISTA na América Latina.

Em 2002, a maioria dos brasileiros votou em Lula na esperança de que iniciaríamos um ciclo de desenvolvimento, com investimentos público e privado, pleno emprego, melhoria na renda, produtividade e  prosperidade generalizada. Enfim, um círculo virtuoso que só um presidente originário da classe trabalhador poderia conceber.

Alguns brasileiros não votaram em Lula em 2002, pois sabiam que era impossível para um sindicalista populista e carismático cercado de intelectuais socialistas fazer qualquer reforma desenvolvimentista. Outros, que também não votaram em Lula, de início até lher deu um voto de confiança por manter a política econômica herdada de FHC.

O alívio deste último grupo durou até estourar o mensalão. No segundo mandato, o Lula populista saiu do armário.

Empolgado com o fortalecimento do Real e superavit nas exportações de commodities para as potências emergentes como a China, Lula assumiu que era rico, passando a distribuir benesses, isenções fiscais, incentivos ao consumo desenfreado, endividamento, inchaço da máquina, ostentação estatal, empregos para a companheirada, aumentos salariais do funcionalismo e, principalmente, dinheiro a rodo para o compadrio empresarial através de pequena comissão, de 1 a 3% para o partido e seus dirigentes.

Nesta altura, escanteado, Zé Dirceu que de bobo não tem nada resolveu aderir de vez o SOCIALISMO BOLIVARIANO, um sistema onde não se pensa acabar com o capitalismo, mas mantê-lo operando a fim de enriquecer os companheiros e subsidiar governos miseráveis como o de Cuba, por exemplo. No modelo socialista bolivariano, caso do chavismo na Venezuela, prolongar o capitalismo é fundamental para acumulação de capital social-eleitoral e milhões de dólares para enriquecimento dos seus líderes.

Aproveitamento-se do prestígio, Zé Dirceu lançou-se como agente do PT para a América Latina, viajando em jatos particulares ou comerciais para Bolívia, Venezuela, Peru, Guatemala, Porto Rico, Nicarágua e Angola, Panamá. Também circulou por Angola, Portugal e Espanha onde ainda mantém empresas e bons negócios por conta do seu poder de influência no Estado brasileiro. Começara a ganhar fortunas quando teve início o julgamento do Mensalão.

Lula, claro, se mantinha informado em 2008 sobre as andanças e operações de Dirceu como traficante de influência em ditaduras africanas, bolivarianas, Portugal e Espanha. 

Na fusão da Oi e PT Telecom, custurada por Dirceu em 2010, Lula participou ativamente o que lhe rendeu muitos dividendos, inclusive para o seu filho Lulinha, isso no final do governo. Nesta época, Lula acompanhou o negócio de consultoria de Dirceu e se preparava para assumir a função de caixeiro-viajante da Odebrecht, o que veio acontecer em 2011, assim que passou a presidência para Dilma.

Quando finalmente Zé Dirceu foi condenado em 2012, por força de Ação Penal 470 conhecida como Mensalão, Lula assumiu definitivamente o controle da conexão bolivariana. O negócio era o tráfego internacional de influência em países com afinidade ideológica, forjar obras de infra-estrutura para empresas brasileiras como um Odebrecht, tudo casado com empréstimos a juros generosos por BNDES, mediante comissão para os operadores e partidos.

Mais uma vez Lula se aproveitou da astúcia de Zé Dirceu e tomou conta de seu legado político-criminoso. Com poder no Congresso, uma secretaria fiel na Presidência e muito dinheiro no caixa do BNDES, o ex-sindicalista ficaria milionário, junto com seus filhos e prepostos do partido.


Nem bem cumpriu sua pena na Papuda, Zé Dirceu se viu envolvido no Petrolão, mais uma vez no papel de bode expiatório do lulopetismo. Seus partidários, que antes o tratavam de "guerreiro do povo brasileiro", sumiram quase todos devido a vergonha e a evidência dos fatos.

Ao condenar Zé Dirceu a 32 anos de prisão, o juiz Sergio Moro classificou de "perturbadora" sua reincidência nos mesmos crimes, mesmo estando em condenado pelo escândalo do Mensalão. Como uma máquina, Dirceu continuou a operar, recebendo propina de vários esquemas no governo, aproveitando-se da influência e prestígio que ainda desfrutava junto a companheiros colocou em altos cargos nos diversos escalões da República, especialmente na Petrobrás.

Após alguns meses de prisão em Curitiba, a vaidade e arrogância começam trazer Dirceu para a dura realidade. Outro dia, após uma sequência de manifestações de soberba, ele meio que implorou ao juiz Sérgio Moro para o deixar responder em liberdade pois precisava trabalhar e cuidar da filha.

Dirceu foi usado, injustiçado e esquecido por Lula e outros dirigentes do PT. Mas, como soldado do partido, ele deve estar vivendo neste momento um dilema cruel: assinar um acordo de delação premiada e entregar o chefão que nunca foi com sua cara ou ficar calado mofando na prisão até 2030.

É pegar ou largar socialista bolivariano. Se é capaz de roubar milhões dos contribuintes pobres desempregados, sem saúde, sem segurança, sem escola e sem moradia, porque todo esse escrúpulo em entregar o companheiro corrupto e com isso ganhar alguns anos de convivência com seus filhos? Responda bolivariano, pois seu tempo está acabando.

 

avatar Avelar Livio Santos
Jornalista e consultor de internet
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