Faça documentário de sua família e dê a ela status de celebridade

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Artigo publicado originalmente em

F

alar sobre nós mesmos parece uma coisa sem muita importância, ainda mais para uma pessoa comum como eu. Sem falar que o auto-interesse deixa transparecer um certo narcisismo ou culto à personalidade, qualidades que detesto.

Acontece que estes conceitos puristas estão mudando (para o bem e para o mal) com as novas tecnologias. Hoje um comportamento muito comum da geração y são as fotos SELFIES, um termo inglês para autorretrato, foto tirada pela própria pessoa com o intuito de compartilhar a vida com a sociedade.

Em 2010, meses antes da minha querida mãe Lídia Fernandes Santos falecer, aos 85 anos, descobri a importância da selfie. Num domingo propus a ela gravar uma série de vídeos curtos sobre a história de sua vida en da família.

Pensei comigo: tem tanto babaca metido a celebridade falando um monte de bobagem e ocupando horas de exposição na TV, porque pessoas comuns como nossa mãe não são lembradas com espaço para contar sua história, trocar conhecimento e distribuir sabedoria.

Tem uma velha máxima do jornalismo que diz: cachorro morder uma pessoa não não é notícia, mas se a pessoa morder um cachorro a audiência é certa. Nenhuma emissora de TV procurar a nossa mãe ou avó para tratar de coisas importantes de interesse cultural ou social. Eles vivem do mercado da escassez e sabem que são as bizarrices e coisas chocantes que prendem a atenção, sequestram a audiência.

Mas a disruptura tecnológica dos meios de comunicação está quebrando mais este paradigma. Hoje, as ferramentas de criação, edição e distribuição de conteúdo estão disponíveis para toda a sociedade, permitindo a qualquer indivíduo, por mais amador que seja, registrar, divulgar e contar sua própria história, sem depender da intermediação do Estado, da mídia ou das corporações.

Mas voltando ao caso da mais importante atriz da minha vida, dona Lídia: gravei 32 pequenos vídeos, de 3 a 5 minutos cada, onde ela narrou toda as lembranças de sua modesta mas fecunda vida, da infância à maturidade. Este é um documentário precioso que ficará disponível para a posteridade da família. Quem mais faria isso senão nós mesmos.

Tem pessoas que passam horas em frente a TV ou computador assistindo vídeos, filmes e outras bobagens de pessoas que nunca conheceu ou vai conhecer. Será que já pensaram em reservar um tempinho para gravar um documentário da família, registrar histórias de vida dos seus país e avós? Será que suas histórias são menos importantes que aquelas contadas pelas falsas celebridades, gente que toma anos das nossas vidas com programas de TV sobre bobagens?

Nem precisa responder. Mas se estas peguntas provocam algumas ideias vá em frente e comece a pensar num roteiro para a filmagem da família. Foi para isto que criaram toda esta parafernália de dispositivo a preço bem acessível.

É possível fazer bons documentários com um smartphone na mão e uma bela ideia na cabeça. Sua família vai adorar poder deixar todas as histórias registradas para a posteridade. De quebra pode revelar um bom cineasta documentarista. Caso precise de alguma dica para fazer o vídeo entre em contato comigo. Comece fazendo seu CADASTRO.

 

avatar Avelar Livio Santos
Jornalista e consultor de internet
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