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MÃOS SUJAS -- 

Hoje, 4 de julho de 2015, o quadro é o seguinte: a presidente Dilma "se achou" e resolveu contrariar o criador assumindo o direito legítimo de concorrer à reeleição em 2014. Lula não gostou do rompimento do acordo pela criatura, mas acabou aceitando pois, até aquele momento da eleição, nadava de braçada na função de vendedor de luxo da Odebrecht sob o patrocínio do BNDES, segundo denúncias colhidas no processo do Petrolão. 

Com um simples telefonema o "Brahma" como era chamado pelas empreiteiras segundos documentos da Polícia Federal, contratava palestra para vender obras à governos bolivarianos para a Oldebrecht. Com outro, obtinha o financiamento do BNDES. Pensa que é fácil trocar um negócio milionário deste pelo salário de presidente?

Dinheiro é o que não poderia faltar para a volta triunfante ao poder em 2018. Mas o plano furou porque a Petrobras faliu, a Venezuela quebrou, o dinheiro do BNDES sumiu e o governo da mulher sapiens virou uma mandioca aguada.

Como fazer? Simples! Derrubar a mulher sapiens, já que nem o próprio PT está com disposição de carregar o caixão até 2018. Para o lulopetismo, ela é um bom bode espiatório para o país estar no volume morto. Mas aí surge outras questões: Derrubar já? Ou cozinhar a mandioca até final do ano que vem, colocar a bomba nas mãos do vice-presidente Temer e saltar do barco para a praia ensolarada da oposição?

Os peemedebistas perceberam a manobra do lulopetismo e decidiram que se é para impixar melhor agora, principalmente porque acreditam que o partido tem um bom cacife para fazer seu próprio governo até e após 2018.

Derrubar Dilma agora não é muito bom para o PT de Lula. Não depois de picado pela mosca azul do poder. Isto custaria empregos dos companheiros com o desaparelhamento do Estado e obrigaria Lula a subir no palanque imedidatamente. O clima não para discursos tipo Salvador da Pátria, Pai dos Pobres ou Colocador de Comida na Mesa do Trabaiadô.

Será que o povo vai engolir esta gororoba novamente? Não sei. Só sei que, supondo que a última eleição presidencial não foi fraudada, está claro que o povão tem memória curta e muda muito rápidamente de opinião. Em apenas seis meses a aprovação do governo Dilma caiu de 52% para 9%, a diferença entre belas mentiras e duras verdades.

O que acontecerá se o governo Dilma cair, seja por corrupção, improbidade administrativa, fraude eleitoral ou renúnica? Pelo que andei pesquisando, ainda existe muita controvérsia sobre o assunto.

Uns dizem que, vangando a presidência por renúncia e impedimento, o vice assume imediatamente até o fim do mandato. Outros dizem que se for por fraude eleitoral o vice também fica impedido sendo empossado então o presidente da Câmara dos Deputados, no caso Eduardo Cunha (PMDB), que então convocaria novas eleições. Fala-se até na posse do segundo colocado na eleição em caso de queda por fraude eleiroral ou compra de votos, neste caso o senador Aécio Neves (PSDB), segundo colocado no último pleito. Enfim, o processo da queda pode alterar o preenchimento do cargo.

Uma coisa é certa, na próxima eleição presidencial Lula concorrerá de novo. A chance dele ter sucesso é tanto maior quando mais rápido subir no confortável palanque da oposição. Neste caso, teremos aquele velho discurso do óbvio, que a economia do País vai de mal a pior, o governo está mergulhado na corrupção e que o culpado de tudo é o FHC.

 

AVELAR LIVIO DOS SANTOS
Jornalista e consultor de internet
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