453
FRANQUIA

O site Oficina da Net fez um estudo sobre a decisão das teles de cobrar acesso à internet não só por VELOCIDADE DE BANDA como também por VOLUME DE DADOS. As quatro empresas que monopolizam hoje o setor, resultado da política de incorporações e compras do governo do PT (entre móveis e fixas eram mais de 30 no período FHC), impuseram as novas regras tanto para telefonia fixa como móvel.

O GOLPE DA FRANQUIA DE DADOS tem a conivência da ANATEL que deveria se ocupar mais em regular o mercado no interesse de todos - consumidores, empresas e governo. A agência parece ter assumido ostensivamente as causas das empresas e do partido do governo, passando a apoiar não só a cobrança extra por dados como culpando os consumidores pela uso abusivo da rede, uma das mais lentas e caras do mundo.

O argumento para a cobrança é estapafúrdio: "assim como acontece com a água, as pessoas devem pagar também pelo volume do consumo de dados". Primeiro a água é um produto físico, analógico, palpável, finito que, por isso mesmo, deve ser pago pela quantidade consumida. Segundo porque não faz sentido pagar água por pressão hidráulica, nem energia por estabilidade da voltagem. modelos de cobranças mais adequados aos negócios de dados digitais, coisas  infinitas que nunca se esgotam.

No mundo inteiro as pessoas pagam conexão de internet pelo VELOCIDADE DA BANDA, que no caso do Brasil as operadoras só garantem 10% do total contratado. Em alguns países como o Canadá até existe um limite máximo de 500 GB/mês, mas inatingível por consumidores residenciais mais avançados. Não é justo pagar caro por um serviço que já é precário e ainda ter que desembolsar mais por DADO DIGITAL inesgotável.

Portanto, trata-se de um golpe no consumidor impor uma situação de falsa escassez para um produto infinito com o objetivo único de criar uma dupla cobrança e aumentar a arrecadação de impostos. O faturamento das teles é superior a 100 bilhões ano, sendo que mais da metade desta montanha de dinheiro vai para os cofres do governo, que nada faz e pouco investe em infra-estrutura. Uma vez legalizada esta dupla cobrança, como aconteceu na também precária banda larga móvel (2G, 3G, 4G...) nunca mais ela será revogada.

Uma conta de banda larga de consumidor residencial normal ou empresarial de pequeno porte consome em média de 100 GBytes de dados por mês. Um conta média cerca de 200 GBytes e um avançada algo em torno de 300 GBytes. As operadoras acenam com franquias de 10. 20, 30, 40 e até 130 Gigabytes, combinadas planos de VELOCIDADES DE BANDA, que podem variar de 1 Megabits a 100 Megabits.

Isto significa que todo mundo acabará estourando seu limite de dados antes do final do mês, como acontece com nossas contas de internet 4G. Repare que medida MEGABITS ou GIGABITS se usa para VELOCIDADE DE BANDA, enquanto MEGABYTES ou GIGABYTES para VOLUME DE DADOS.

Caso esta cobrança ocorra, o custo final da internet aumentará de 30% as 80% para a maioria dos usuários de banda larga residencial e comercial. Por exemplo: um usuário residencial com perfil intermediário e uma banda de 5 Megabits e que consome até 90 Gigabytes de dados por mês com certeza estourará o limite máximo da franquia em até 15 dias, perdendo velocidade ou pagando valor extra para continuar com sua banda de 5 Megabits.

O valor que as operadoras cobrarão pelo tráfego excedente será uma parafernália de planos impossíveis de comparar, como a gente vê hoje na telefonia móvel. No fim das contas, o consumidor aceita o que a primeira vista parece mais barato, pois fica impossível escolher a combinação de pacotes (banda/dados) mais econômica devido a confusão de preços e detalhes.

PERFIS DE USUÁRIOS (Oficina da Net)

Perfil de uso leve: 4 horas de navegação na web (1,6 GB) e um episódio de Netflix por dia (1,1 GB) x 30. O consumo mensal é de aproximadamente 78 GB.

Perfil de uso intermediário: 4 horas de navegação (1,6 GB), 1 hora de streaming no YouTube (1,2 GB), um episódio de Netflix por dia (1,1 GB) x 30, além do download de dois jogos por mês (40GB). O Consumo mensal é de aproximadamente 157 GB.

Perfil de usuário avançado: 8 horas de navegação (3,2 GB), 2 horas de streaming no YouTube (2,4 GB), dois episódios de Netflix por dia (2,2 GB) x 30, além do download de oito jogos por mês (160 GB). O consumo mensal é de aproximadamente 394 GB.

VIVO 
Vivo Banda Larga Popular 200 kb/s: 10 GB
Vivo Banda Larga Popular 1 e 2 Mb/s: 10 GB
Vivo Internet 4 Mb/s: 50 GB
Vivo Internet 8 e 10 Mb/s: 100 GB
Vivo Internet 15 Mb/s: 120 GB
Vivo Internet 25 Mb/s: 130 GB

NET
Net Vírtua 2 MEGA: 2 Mb/s: 30 GB
Net Vírtua 15 MEGA: 15 Mb/s: 80 GB
Net Vírtua 30 MEGA: 30 Mb/s: 100 GB
Net Vírtua 60 MEGA: 60 Mb/s: 150 GB
Net Vírtua 120 MEGA: 120 Mb/s: 200 GB
Net Vírtua 500 MEGA: 500 Mb/s: 500 GB.

OI
OI 35 Mega: Até 35 Mb/s
OI 25 Mega: Até 25 Mb/s
OI 15 Mega: Até 15 Mb/s
OI 10 Mega: Até 10 Mb/s
OI 2 Mega: Até 2 Mb/s

A TIM e a Claro praticam a cobrança de franquia de dados na banda móvel, mas ainda não definiram tabela de preços para a banda fixa.

 Segundo enquete feita pelo Oficina da Net, 94,5% dos usuários são contra as cobrança de dados, 4,5% até aceitariam se o preço não fosse abusivo e 1% não soube responder.

avatar Avelar Livio dos Santos
Jornalista e consultor de internet
Fale conosco

 

   

comentários



Anuncie

Topo